É fácil criticar o que está ao nosso alcance. Muitas vezes, o SUS é lembrado pelas filas, pela espera ou pela estrutura que precisa melhorar. Mas o que muitos não veem é que, mesmo com suas falhas, o SUS é um dos sistemas de saúde mais generosos, abrangentes e importantes do mundo.
E não é exagero. O SUS está presente desde o nascimento até o último cuidado no fim da vida. Ele cuida de todos, ricos, pobres, moradores de grandes capitais ou de vilarejos remotos. Essa matéria te convida a olhar com mais profundidade e empatia para a pergunta essencial: por que o SUS é tão importante?
1. Porque trata a saúde como direito, não como privilégio
Antes do SUS, só quem contribuía com a previdência social tinha acesso garantido a atendimento médico. Quem não trabalhava com carteira assinada, ou não era dependente de alguém que contribuía, simplesmente não era atendido.
A criação do SUS, com base na Constituição de 1988, mudou esse cenário. Pela primeira vez, o Brasil passou a declarar, em sua lei máxima, que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Isso pode parecer simples, mas é revolucionário. Em muitos países, a saúde continua sendo um privilégio, um produto caro e inacessível para milhões. O SUS rompe com essa lógica, e afirma que a vida de cada pessoa importa, e deve ser cuidada com dignidade, gratuitamente.
2. Porque está presente em quase todos os momentos da nossa vida
Mesmo quem acha que “nunca usou o SUS” já foi beneficiado por ele em algum momento. Afinal, vacinas, campanhas de prevenção, fiscalização de alimentos, controle de doenças, vigilância sanitária e surtos epidêmicos são parte do SUS.
O sistema acompanha a população desde o nascimento, com o teste do pezinho, até o acompanhamento de doenças crônicas na terceira idade. Ele está nas maternidades, nos postos de saúde, nas ambulâncias do SAMU, nos hospitais de referência e também nas visitas domiciliares dos agentes de saúde. E tudo isso sem cobrar nada, mesmo para os atendimentos de alta complexidade, como transplantes, cirurgias cardíacas e medicamentos de alto custo.
3. Porque combate desigualdades
O SUS é um dos raros sistemas públicos que busca compensar desigualdades sociais históricas. Ele não trata todos de forma idêntica, ele cuida de cada um conforme suas necessidades. Pessoas em situação de rua, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, populações LGBTQIA+, crianças em abrigos, comunidades em áreas de risco: todas essas pessoas são acolhidas pelo SUS com ações específicas, voltadas à realidade de cada grupo.
É por isso que o SUS não é só um sistema de saúde, ele também é uma política de justiça social.
4. Porque é referência mundial em diversas áreas
Você sabia que o Brasil tem um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo? E que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é modelo de sucesso, com uma das coberturas vacinais mais amplas por décadas?
O controle da AIDS no Brasil também é referência global: o SUS distribui gratuitamente os antirretrovirais, realiza testagens e acompanha os pacientes com dignidade, algo que ainda é inacessível em muitos países ricos. Além disso, o SUS realiza campanhas de vacinação em larga escala com rapidez e alcance impressionantes, como foi visto durante a pandemia da COVID-19.
5. Porque protege mesmo quando não percebemos
O SUS não está só nas emergências. Ele também atua nos bastidores, protegendo silenciosamente a população. Ele fiscaliza a água que bebemos, a comida que compramos, os estabelecimentos que funcionam com manipulação de alimentos. Ele monitora surtos, responde a desastres naturais, cuida da saúde mental, combate vetores de doenças como dengue e zika, e atua com firmeza em ações de prevenção. Mesmo quem tem plano de saúde particular depende do SUS em várias etapas do processo de saúde coletiva. Não existe uma sociedade saudável sem um sistema público forte.
6. Porque é construído com participação popular
O SUS não é um sistema que funciona de cima para baixo. Ele tem, desde sua origem, um compromisso com a gestão participativa e democrática. Isso significa que os cidadãos têm voz por meio de conselhos municipais, estaduais e nacionais de saúde, e nas conferências periódicas, onde usuários, trabalhadores e gestores constroem juntos as políticas públicas. Essa é uma das maiores riquezas do SUS: ser pensado com o povo, para o povo.
7. Porque é um patrimônio que precisa ser defendido
Mesmo sendo tão essencial, o SUS sofre com cortes de verbas, desinformação e tentativas de desmonte. Ainda há desafios sérios, como a desigualdade entre regiões, o subfinanciamento crônico e a precarização do trabalho de muitos profissionais.
Mas isso não é motivo para abandonar o SUS, pelo contrário. É motivo para fortalecê-lo, financiá-lo corretamente, defendê-lo com consciência. A saúde pública brasileira é uma conquista coletiva, e como toda conquista, precisa ser lembrada, valorizada e protegida todos os dias.
O SUS é importante porque faz o que muitos consideravam impossível: oferecer cuidado, acolhimento e dignidade para todos, sem perguntar quanto você pode pagar. Ele está presente na vida, na luta, na cura, na prevenção e na proteção. E mesmo diante dos desafios, continua sendo o maior exemplo de solidariedade institucional que o Brasil já construiu.
“O SUS é uma ponte entre o cuidado e o direito. E enquanto houver vida no Brasil, haverá motivo para defendê-lo.”

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